O rebelde sem causa

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piggiesLá está ele sentado em sua cadeira, em frente ao computador. Acessa suas redes sociais e páginas preferidas na internet diariamente.
Em julho de 2013, quando eclodiram manifestações por todo o Brasil, se manifestou com os dedos, classificando como exemplar a atuação da polícia atirando bala de borracha e gás de pimenta nos olhos de quem participava e cobria o evento. Em contrapartida, ao ver vidraças de agências bancárias despedaçadas pelo chão, sentiu profunda tristeza.
Promovia avidamente na internet sua sabedoria em relação ao momento de transição vivido pelo país, repetindo o mantra “vândalos” pra tudo e todos e a torto e a direito. Não se conformava com as ruas interditadas pelas manifestações, atrapalhando a vida do cidadão de bem que voltava pra casa depois de mais um dia de trabalho honesto.
Em novembro, diante das denúncias de maus-tratos de um instituto que usava cachorros beagles para testes em cosméticos, um grupo invadiu o lugar, resgatou os animais e quebrou algumas vidraças. Ele, uma vez mais, manifestou toda sua argumentação sábia, reflexiva e bem elaborada através do computador, promovendo pérolas como “quem fez isso não devia tomar remédio!” ou a clássica “tem tanto ser humano precisando de ajuda, porque não fazem alguma coisa? Bando de hipócritas!!”.
O ano se foi, a época de confraternizações chegou e ele comeu como nunca na vida. Renovou os votos com a promessa de emagrecer e se tornar uma pessoa melhor, sapiente e compreensiva.
Em janeiro de 2014, sentado em sua cadeira, acompanhou os rolezinhos que aconteceram em shoppings e a repercussão na mídia. Sua argumentação, mais uma vez lúcida e preocupada com a população brasileira, foi a de que “toda essa geração de delinquentes é culpa do maldito PT!”.
No mesmo mês, diante do programa “De Braços Abertos”,  iniciativa da prefeitura de São Paulo para a delicada situação de seres humanos viciados em crack, rapidamente o batiza jocosamente “bolsa crack”, não sem ampliar o raciocínio argumentando ser esta mais uma iniciativa falida do partido demoníaco comunista.
Em fevereiro um menor de idade, pobre e negro, acusado de roubo, foi espancado e amarrado nu pelo pescoço com uma trava  de bicicleta num poste por vários cidadãos de bem, maiores de idade, brancos e proteinados de whey, recém saídos da academia, no Rio de Janeiro. Quando ouviu uma jornalista, que faz a sua fama proliferando opiniões eruditas e abrangentes, como todo bom jornalista deve ser, ele, sentado em sua cadeira, mais uma vez espalha sua sabedoria pelas redes sociais replicando que as pessoas boas que espancaram, desnudaram, cortaram a orelha e amarraram o menor ao poste fizeram bem. Aliás, acha que fizeram foi pouco. E a máxima que mais gosta, repleta de satisfação e inteligência, é a “tá com dó? Leva pra casa!!!”.
Defensor das pessoas de bem e da família brasileira, justifica a não aceitação dos direitos dos gays pois está na bíblia, legitima o dízimo e cede a senha do cartão de crédito ao pastor pois é bíblico também. Falando nisso, o que será que Jesus faria? Jesus também é uma pessoa de bem? Onde ele tava com a cabeça quando intercedeu por Maria Madalena? Tá lá na bíblia.
A justiça feita pelo bom cidadão está proliferando Brasil afora. Diariamente as pessoas decentes espancam um. Um foi morto, inclusive. Só que ele era trabalhador e foi confundido com um ladrão. O pegaram quando ia trabalhar em sua bicicleta.
Daí pra botar fogo em bruxas e enforcar suspeitos em praça pública é um pulo, pensa bem. Degolar e pendurar a cabeça no poste, também. Topas?
Eis então que ele, o gordo*, certo dia, levanta de sua cadeira e sai à rua, na sorveteria da esquina de casa. Encontra por acaso uma trupe de cidadãos de bem á lá whey. Ao avistá-lo, não se incomodam em absoluto com seu corpo obeso, quase mórbido. São respeitosos e compreensivos afinal ele não tem culpa de ser assim. É legal pro mundo essa diversidade e não há problema algum em dividirem o espaço com ele. Podem até ir numa balada juntos pegar umas gatinhas. Pessoas de bom coração têm empatia instantânea.
E então todos se abraçam e tomam sorvete de morango comemorando o triunfo, finalmente, do resgate da tradicional família brasileira e das pessoas de bem nesse país.
Ou não.

*O personagem desta crônica é fictício e meramente ilustrativo. Qualquer semelhança com a vida real é coincidência.
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Receita de Ano Novo

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receita de ano novo

Objetivos conquistados, tombos levados e lições aprendidas marcaram aquele ano de 2011. Assim como 2010. A única ressalva realmente ruim fora um acidente de moto que sofri no finalzinho, dia 11 de novembro, na Rodovia Raposo Tavares. Tive muita sorte e saí apenas com escoriações nas mãos, pés, pernas, braços e costas.
Minha viagem de réveillon daquele ano já estava marcada, ia para a Ilha do Cardoso, mas não pro “top” Marujá, e sim pro Perequê, na outra extremidade da ilha, em busca de tranquilidade e descanso.
Viajamos em cinco pessoas e o sol foi nosso companheiro durante todo o percurso, mas chegamos embaixo de muita chuva. Pegamos o barco em Cananéia pra ir pra ilha, os “voaderas”, como são chamados, também debaixo de chuva. Instalamos-nos num camping, armamos a barraca e lá permanecemos uma semana.
Desde o dia em que botamos os pés na areia da ilha até subir no barco para voltar à dita civilização, o sol simplesmente não deu as caras e a chuva, nada de trégua.
Nossas expectativas para a viagem de fim de ano eram grandes. Assim como é de todos. Livrai-nos de todo mal amém. Como se a forma como passamos aqueles momentos de descanso e principalmente aquele vã segundo do 23:59:59 do ano anterior e o 00:00 do vindouro determinará nossas conquistas durante os próximos 365 dias.
No dia 31 de dezembro fomos tomar o derradeiro banho de mar…não necessariamente pulando 7 ondas, pra passar o réveillon de corpo e alma lavada.
A água estava deliciosa, embora meus ferimentos efervescessem no sal como antiácido num copo com água. Fazia parte da purificação.
Sai zica! Xô saravá! Vim me purificar! E tudo ia muito bem até eu sentir repentinamente uma intensa dor em meu braço. Soltei um grito e quem estava comigo, ao invés de correr em minha direção para acudir, correu espalhafatosamente pra longe dali. Muy amigos.
Me senti estranho…saí da água mais tonto do que de costume e percebi uma forte palpitação no peito. Era uma dor aguda, lancinante e indescritível. Havia esbarrado em uma água viva. E ela não se limita a epiderme, tem uma poderosa toxina que se espalha pelo corpo. Algumas são letais.
Fiquei assustado, evidente. Nunca passei por isso. Bati na porta de uma moradora do lugar, dona do camping, buscando orientação. Ela sugeriu mijar sobre o ferimento (wtf?) ou lavar o local com vinagre. Não foi difícil optar pelo segundo. Fiquei em repouso mas a dor não passava. O réveillon se aproximava e eu todo ferrado, de saco cheio da chuva e com o corpo em chamas. Melhor impossível.
Melhorei aos poucos, depois vim saber que tem gente que tem de ir às pressas pro hospital. Que só tem em Cananéia, vai vendo.
Me curei completamente no dia seguinte. Quando botamos o pé no barco para voltar pra casa, o sol deu as caras, como se tripudiasse da trupe. Pude contemplar por um breve momento como é o paradisíaco lugar banhado a luz do sol. E é lindo.
Voltamos pra casa desapontados, evidente. Tanta expectativa foi por água abaixo. Literalmente. Foi uma viagem caótica e cansativa.
“Se a passagem foi assim, imagina durante o ano?” – pensávamos, mesmo que involuntariamente. Nada mais equivocado. O ano foi prolífico, repleto de conquistas, tombos tomados e lições aprendidas. Assim como 2011. E 2013 também. Ano a ano, passo a passo.
Se suas festas foram “perfeitas”, ótimo! Mas de nada adianta se durante o ano ficar atado a rotina dos pensamentos e andar sempre pelos mesmos caminhos.
Se suas festas não foram a maravilha que esperava, não lamente: 2014 será o que fizer no seu dia a dia, superando os desafios com disposição, bom humor e cabeça erguida.

Crítica – Documentário “Tropicália”

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Vocês não estão entendendo nada!

No começo da década de 60 o Brasil passava por uma profunda agitação política. O presidente João Goulart – Jango – foi deposto pelo golpe militar em 31 de março de 1964, quando o Exército e seus aliados civis entregaram o poder aos militares. O golpe, apoiado pelos americanos, rompeu o pouco da democracia existente no país e Castelo Branco tornou-se o primeiro de uma série de generais-presidentes ditatoriais.
Culturalmente, o País fervilhava. Até 1968, intelectuais e movimentos de esquerda podiam agir livremente, com pequenos problemas com a censura. Ainda em 68, as tensões no País se intensificaram com as greves operárias e as manifestações estudantis. Com o crescimento da oposição, Costa e Silva – o segundo general presidente, pressionado pela extrema direita, respondeu estabelecendo em 13 de dezembro daquele mesmo ano o famigerado Ato Institucional Nº 5 – AI5, decretando assim o fim das liberdades civis e de expressão.
É dentro deste contexto político que surge um dos mais importantes movimentos da música brasileira: o Tropicalismo.
Encabeçado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, contando também com Os Mutantes, Gal Costa, Maria Bethânia, Tom Zé  e alguns outros que ficaram no “lado escuro da Lua”, os tropicalistas se manifestavam contra o autoritarismo e a desigualdade social, propondo a internacionalização da cultura e uma nova forma de expressão, sem restrições.
Escrevo este artigo após assistir ao documentário “Tropicália”, no dia 13 de novembro/12, numa seção deliciosa do Cine Café no SESC Sorocaba, que contou com a presença do diretor Marcelo Machado, onde participamos de um bate papo muito elucidativo sobre a produção.

O diretor do filme, Marcelo Machado , conversa com a plateia. Foto: Marcelo Domingues

Enquanto assistia ao documentário, que mescla bem o contexto político com a manifestação musical e artística da época, praticamente todas as capas de discos que lá aparecem me eram familiares e as letras das músicas brotavam de dentro de mim, de algum lugar há muito esquecido, o que me causou diversas indagações, sensações e sentimentos.
Isso porque, juntamente aos vinis do Dylan, Beatles, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Pink Floyd e Miles Davis do meu pai, estão vários do movimento tropical que até agora não me dei conta de sua real importância.
Meu pai praticamente criou a família com as músicas desta época e por isso, descubro, tudo me era tão familiar.
Fiquei impressionado com a manifestação contrária dos próprios jovens ao som dos tropicalistas, celebrado pela famosa e acalorada apresentação de “É proibido proibir”, de Caetano Veloso, na noite de domingo, 15 de setembro de 1968, realizada no Teatro da Universidade Católica de São Paulo – USP.
A música de Caetano, que era acompanhado pelos Mutantes no palco, foi recebida com furiosa vaia pelo público, que atirou ovos, tomates e pedaços de madeira contra os artistas. Caetano entrou em cena fazendo uma dança erótica provocando a plateia que, absolutamente escandalizada, deu as costas para o palco. Imediatamente, os Mutantes responderam na mesma moeda e tocaram a canção com as costas viradas para o público.
Caetano fez um longo e inflamado discurso, disponível na internet, onde criticava a postura absurda e bestial daqueles jovens que lá estavam, que eram justamente quem deveriam participar da conscientização política e conquista da democracia. Caetano estava certo ao dizer “vocês não estão entendendo nada!”, já que o povo chegou ao poder e podemos sentir hoje, na pele, que o mistério de se tornar o monstro que tanto combate é real. Obviamente, guardando as devidas proporções.
Saí do cinema sentindo-me genuinamente um pouco mais brasileiro e com uma grande lição a ser aprendida, dita pelo próprio diretor do documentário:
“O filme não é um ode à nostalgia da época, e sim um retrato de pessoas que souberam viver intensamente o seu próprio tempo”. Recomendadíssimo!

Cotação:

On the road

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No dia 8 de maio fui chamado para fazer uma entrevista numa empresa que presta serviço a grande coqueluche japonesa atual da indústria automobilística sorocabana. Sonho (sic!) de 4 em cada 3 trabalhadores.
Era já a terceira entrevista que lá fazia, dividida em partes, para ser o responsável pela área de meio ambiente.
O lugar é tão longe, mas tão longe, que demora mais para chegar de ônibus até ela do que em Mairinque, por exemplo. O ônibus que lá passa, no tal Pólo Industrial de Sorocaba, é somente um. E a cada 3 horas.
Para chegar na entrevista marcada as 8, tive de acordar 5:30.
Chegando lá esperei um bocado até ser, de fato, entrevistado. Conversei com um outro candidato, pra área de qualidade, a qual me disse ser a terceira ou quarta vez que ia até lá.
Ele entrou antes de mim, desejei-lhe boa sorte. Da salinha que permaneci pude ouvir três vozes masculinas diferentes, que falavam em tom imponente e muito rápido, em japonês. Logo após a voz de uma mulher traduzia o que havia sido dito e o jovem, com quem conversara a pouco na sala de espera, apressava-se em responder as questões. Logo entendi que a entrevista é feita com os responsáveis japoneses. Como eu era o próximo, me senti como uma vaca indo pro abatedouro.
Minha entrevista chegou mas, para minha surpresa, fui entrevistado apenas pela responsável da área. Japonesa sim, mas muito simpática e falava português fluentemente. Fez algumas perguntas específicas da área, perguntou se eu fumava, se tenho problemas de relacionamento, disponibilidade pra hora extra e se – muito importante, frisou – eu sabia lidar com pressão, metas e prazos.

– Claro! – respondi.

Fiz alguns testes, tudo muito tranquilo. Até ela me dizer:

– Olha, eu não tenho ideia do salário…você tem alguma sugestão?

Expliquei que o tecnólogo tem um piso salarial padrão e que pra valer a pena, teria no mínimo, de sê-lo.

– Olha…- disse ela, relutante – eu não tenho ideia do valor do salário mas posso lhe adiantar que isso tá um pouco fora dos padrões.

– Como é?

– É …é que, é pra auxiliar o engenheiro né? Então…

Em 2 segundos minha mente raciocinou um bocado de coisas: Na nossa entrevista ficou muito claro que o funcionário que ocupar o cargo será o único responsável pela implementação das políticas ambientais. Isso, numa fábrica do porte daquela, é algo extremamente complexo e desafiador. As buchas ficarão totalmente nas costas – ou outro lugar – do “auxiliar” de meio ambiente. Além disso, ela havia dito que não tinha ideia do salário e pediu para que eu sugerisse um valor.

– Você tá brincando comigo, né?

– ??

– Assim fica difícil, olha o meu lado.

– É ..eu sei…mas…

Ficamos nesse impasse durante um tempo, até encerrarmos as atividades.

Fui liberado às 11 horas. O ônibus tinha passado as 10:30 e o próximo, só as 13 horas.

– Áh…se eu soubesse, liberava você antes – disse ela.

– Não tem problema, eu dou um jeito.

– Tenta pegar uma carona, muitos colaboradores fazem isso aqui…

– Puff….ok – respondi dando de ombros.

Saí da empresa e fui caminhando a caminho do centro da cidade, sem saber ao certo o que fazer. Cheguei a pista de caminhada e fui acompanhando seu trajeto. Não havia, absolutamente, ninguém até onde meus olhos podiam alcançar. O único movimento que existia era quando diversos Corolas Sedans e Hilux – com somente um oriental de terno dentro, passavam na avenida, sem me dar a menor atenção. Alí, naquele momento, eu simplesmente não existia.
Comecei a andar pela pista, com aquele sol das 11 horas na cabeça, pensei em tirar a camisa e fazer um cooper mas me lembrei que estava de calça social e sapato. Eu correndo na ciclovia sem camisa, mas de calça e sapato, não ia enganar ninguém. Nem a mim mesmo.

Comecei a ter sinais de cansaço, o ponto não chegava nunca. Minha testa suava, minha camisa ensopava, meus pés doíam. Comecei a me perguntar a lógica daquilo, do por que algumas coisas serem como são.

Até que, num momento, ouvi ao longe uma buzina. Olhei e alguém acenou para mim, eu acenei de volta e corri até o carro.

Entrei e fechei a porta, mas ela não fechou. Fui bater mais forte mas o condutor disse-me pra pegar o arame que estava pendurado no canto da porta e enrolar no trinco. Assim o fiz.

Quando voltei meus olhos ao motorista, pude perceber que ele não era um japonês milimetricamente alinhado. Usava um boné desgastado, guiava descalço, os pés sujos, a boca desdentada e o carro, queu nem sei qual era, caindo aos pedaços.

– Cê tá longe hein, rapaz?

– Pois é, vim fazer uma entrevista aqui na T*****.

– Áh minha fia trabaia lá, fui deixar ela agora…tenho um sítio e to indo pra lá cuidar das criação. Cê mora onde?

– Áh moro ali próximo ao centro da cidade, mas pode me deixar no ponto mais próximo.

Fomos conversando, espontaneamente. Era um senhor muito simpático, simples e divertido. Contou da família, que tinha uma casa mas vendeu, que o bairro ali não era um lugar seguro pra viver, que a filha vai casar em novembro próximo. Tem 4 filhos e 2 netos.

Ao nos aproximarmos do ponto, um ônibus acabara de sair dele. Pedi para que deixasse ali mesmo queu pegava o próximo mas ele fez questão de acelerar, ultrapassar o ônibus e me deixar no próximo ponto para que eu pudesse embarcar naquele mesmo. Quando chegávamos, lembrei de uma coisa e perguntei:

– Qual o nome do senhor?

– Ramiro.

– Seu Ramiro, certa vez ouvi de uma pessoa uma coisa que, acredito, não vou esquecer jamais. Ele me disse que você nunca deve sair da sua casa se não for pra fazer a diferença na vida de alguém.

Estendi a mão a ele.

– Hoje o senhor fez a diferença na minha vida seu Ramiro. Muito obrigado!

A expressão em seu rosto foi de surpresa mas durou pouco. Logo se virou, levou a mãos aos olhos e eu saí do carro. Desejei-lhe boa sorte na vida mas ele me acenou sem jeito e sumiu no mundo.
Esta é mais uma daquelas coincidências da vida que simplesmente não tem explicação. Muito menos um piso salarial correspondente.

Para melhor compreendimento leia o artigo anterior “o acaso é amigo”.
 

o acaso é amigo

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Presto meus serviços como design gráfico para o jornal Folha de Mayrink. Ele circula na cidade e região todo sábado, mas é diagramado na sexta-feira.
Toda sexta, portanto, é pra lá queu vou. Enquanto as pessoas normais estão voltando de sua jornada semanal de trabalho, eu viajo. Já perdi eventos e shows maravilhosos, como o do Marcelo Camelo e Apanhador só, só pra ilustrar.
A passagem intermunicipal de Sorocaba a Marinque custa atualmente $3,55. Tenho um local em casa, alguns potes de sorvete, no qual eu e Jô costumamos depositar nossas moedas. Então antes de sair de casa, eu pego o dinheiro contado para a passagem. É notável a felicidade do cobrador (a) quando dou o dinheiro exato do bilhete. Não me custa nada, facilita o trabalho alheio e me deixa feliz. Vejo a maioria das pessoas pagar o embarque com notas grandes. $20, $50, teve um que deu uma nota de $ 100,00 certa vez. Para tirar uma passagem. Penso que a falta de percepção das coisas simples como esta é grande responsável por este mundo de extrema competição em que vivemos, onde as pessoas não pensam, nem minimamente, no próximo. A necessidade individual vem em primeiro, em segundo, em quinto e em último lugar. Não há tempo de pensar a respeito dos outros e do mundo que nos cerca.

Este causo aconteceu na noite da sexta feira, 10 de fevereiro.

Havia terminado meu trabalho eram pouco antes das 10 da noite e lá fui eu correr para o ponto de ônibus para pegar o da hora cheia. Á partir das 7 da noite, este ônibus rareia, é de hora em hora. Se eu perder o das 10, tenho de ficar mofando até as 11 no ponto.

Há algumas coisas que me irritam profundamente: trânsito congestionado, homem sem palavra, mulher surtada e perder tempo. Cozinhar uma hora num ponto de ônibus, numa sala de espera ou onde quer que seja simplesmente me deixa transtornado.

Me despedi e fui em direção ao ponto, bem em cima da hora. Abri a carteira e vi que a nota mais baixa que eu tinha era de $ 20,00. Mesmo correndo o risco de perder o ônibus, para comprovar minha teoria de que felicitar a vida alheia se baseia em coisas extremamente simples, voltei correndo até o escritório do jornal e perguntei a minha chefa se ela podia me trocar o dinheiro. Enquanto trocávamos, ouvi o roncar dum busão passando pela rua, mas ali passam tantos que certamente não seria o meu. E porque não? Porque eu não “merecia” perder o ônibus né? Afinal, voltei ao escritório numa ação que beneficiaria um outro alguém, numa ação exclusivamente altruísta.

Peguei os trocados e corri para o ponto, havia apenas um senhor sentado no banco. Isso é bom sinal, pensei. Perguntei do ônibus para Sorocaba, ele respondeu que tinha ACABADO de passar um. De repente, todo aquele sorriso entusiasta desapareceu do meu rosto:

– O senhor tá brincando né?

– Não…

– Tem certeza????

– Tá sentindo o cheiro da fuligem?

– Sim…

– É dele…

– …….

Emputeci. Simplesmente não acreditei. Era muita burrice! Perdi o ônibus pra facilitar o troco! Onde é que eu tava com a cabeça? Putaqueupariu vou ficar aqui até 11 horas da noite…Que ideia de merdaaaaaaaaaaaa! Otário! Energúmeno! Imbecil!

Os xingamentos duraram até acabarem os estoques.

Maldisse a mim, a vida e o mundo. Toda minha convicção de que fazer o bem é elevar o espírito, todo aquele papo lennonmaccartiniano de que “no fim o amor que vc dá é igual ao amor que vc recebe” é lorota da grossa. Que o conceito de causa e efeito aprendido no budismo, do qual baseio minha vida, pode não funcionar como achei que sim. De repente, tudo aquilo o que mais acreditava perdeu o sentido. A ingenuidade da minha postura me fez chorar de ódio. A todos que conto este causo, quando chego nesta parte da história batem na testa, concordam dizendo: – Você leva essas coisas muito a sério, João! O mundo não é assim! Acorda pra vida!

O tio do ponto já havia embarcado para seu destino. Eu estava só. Ao longe, bem longe, uns dois quarteirões, na avenida, um carro com o pisca alerta ligado tentava ligar o motor. Continuei na minha, afinal, cada um tem os seus próprios problemas. Depois de um tempo, olhei novamente e o carro continuava lá, agora com o pisca alerta desligado. Um homem, possivelmente o condutor, tentava empurrá-lo. Em vão. A avenida é uma reta. Estava deserto. Pela primeira vez, me passou o pensamento de ir ajudá-lo de alguma forma. Fiquei torcendo para que o carro pegasse, assim não precisaria me envolver com a situação. Mas a coisa não ia. Pensamentos como o de que o cara poderia achar que eu iria roubá-lo, sequestrá-lo ou esquartejá-lo. Que eu iria me aproveitar da situação para tirar vantagem de alguma forma. Poderia achar que eu quisesse alguma sacanagem sexual. Ele poderia ser, basicamente, um puta cuzão. E eu não tava afim de ouvir merda aquela hora da noite com aquele humor. Já tinha problemas suficientes.

Ai liguei o botãozinho do “foda-se” e fui em direção ao carro. Aí passou o trem, parei, encostei no poste, o barulho me confundiu e não sabia se a porra do carro tinha pegado ou não. O trem passou, o carro ficou. Continuei caminhando em sua direção. Cheguei próximo, ele abriu o vidro da janela. Era um cara novo, de no máximo 40 anos. Estava sozinho. Perguntei:

– E ai amigo, precisa de uma mão ai?

– Pow cara, não sei o que tá acontecendo. Eu coloquei um pouco de gasolina, não sei se tá faltando. Parou do nada! Tava pensando em jogar ele na gambela ali na frente e ver se ele pega.

– Demorô vâmo ai…

Começamos a empurrar o carro na avenida. A descida ficava próximo ao ponto onde eu esperava o ônibus, a dois quarteirões dali.

– Pra onde vc está indo? Perguntou ele.

– Áh cara, eu não sou daqui, to indo para Sorocaba…

– Áh tudo bem…é que eu pensei que…

– Nem esquenta.

Botamos na descida e ele foi. Deu de mão agradecendo e embarcou na caranga. Sentei no ponto e observei ao longe o carro descendo vagarosamente, sem pegar. Pensei que agora o cara tava realmente fodido, com o carro parado já no final da descida. Não deu certo, mas havia feito a minha parte.

Continuei amaldiçoando a minha situação. Merda de vida.

Uns minutos depois, vejo do outro lado da avenida o dito carro parado. O cara desce, o mantém ligado (claro, de bobo só eu nesta história), atravessa a mão dupla e vem até o ponto de ônibus.

– E aí deu certo? – pergunto

– Deu cara! Ele foi sem pegar até o finzinho da avenida….já tava desesperado..mas quando eu desisti, ele pegou!

– Porra que bom, fico feliz.

– Cara…(de repente ficou pensativo…olhou para baixo…coçou o queixo…respirou fundo e olhou pra mim novamente)..quando eu fiz faculdade, tinha um professor de história que disse uma coisa certa vez da qual eu nunca esqueci…ele disse que você nunca deve sair da sua casa se não for para fazer a diferença na vida de alguém…

Estendeu a mão a mim e disse:

– Parabéns…hoje você fez a diferença na minha vida….

Se despediu, entrou no carro e sumiu no mundo. Fiquei mudo. Sem ação. Não demorou muito, um minuto talvez, começou a chover. Primeiro pouco, depois muito, até virar uma tempestade. O vento a trazia de lado até o meu rosto, saía pelo ladrão das casas e molhava meu tênis, cobrindo a lombada a minha frente. Estava furiosa. Passava das 11 da noite, numa longínqua cidade, molhado, solitário…mas a tormenta chegou um pouco tarde.

Naquele difícil momento, minha alma já estava lavada.

Crítica – Biophilia – Björk

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Álbum lançado em 2011 pela cantora islandesa Björk. Já tinha conhecimento sobre seu trabalho desde um bom tempo atrás, ao achar divertido e bizarro seus clipes que sempre passavam na (boa) MTV.
Alguns deles são simplesmente fantásticos, tendo como parceiro em sua maioria o criativo francês Michel Gondry, diretor de filmes sensacionais como o cultuado “Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças” e também o genial “Rebobine por favor”.
Mas nunca, confesso, havia ouvido um álbum inteiro dela, até decidir por uma audição mais apurada de suas músicas neste mais recente disco.
Com uma voz única, estranha, acompanhada de sintetizadores, também estranhos, suas músicas alternam hora um som orgânico, hora eletrônico. As músicas nos lançam na imensidão do universo para logo após nos obrigar a se perder na vastidão de si mesmo. Conexões existentes entre homens e a natureza e também entre os semelhantes, ansiando por uma revolução de pensamento e sentimento em relação ao próximo e também a tudo que nos cerca. Vento gelado no rosto, cristais crescendo sobre nossos pés, galáxias e nebulosas em constante mutação, DNA que carregam lembranças de antepassados e transfere as atuais para a geração futura, vírus que penetram no corpo e formam um simbionte harmônico com seu hospedeiro…tudo isso num emaranhado de barulhos que, ao invés de soarem díspares, fazem muito mais sentido do que podemos perceber numa primeira audição.
Cultivar a paciência para saborear todas as nuances deste álbum é fundamental. Mas o que realmente me levou a escutá-lo foi uma maravilhosa coincidência.
Em 2011, enquanto lia e pesquisava para fazer o meu projeto de Educação Ambiental para o mestrado em Sustentabilidade, topei com o nome de Edward Osborne Wilson, biólogo e entomologista (ciência que estuda os insetos) americano conhecido por seu trabalho com ecologia, evolução e sociobiologia.
Ele cunhou um termo do qual nunca tinha ouvido falar, mas que de imediato me causou grande impacto e seu sentido a mim, absolutamente inquestionável: Biofilia.
“Biofilia” é definida pelo autor como a junção de “philia” (amor) e “bio” (vida), podendo assim ser entendida como “a tendência natural que há nos seres humanos para amar todas as formas de vida”.
Todos temos a tendência universal de amar todo e qualquer ser vivo. Nos padecemos com o sofrimento alheio, de quem ou do que quer que seja. Embora nos deparemos diariamente com casos e situações que colocam em xeque esta característica inerente aos seres humanos, ela ainda permanece entre nós. Lembro-me agora daquele filme “Equilibrium”, com o Christian “Batman” Bale, em que a raça humana foi forçada a suprimir seus sentimentos, agindo feito máquinas insensíveis. Será que esta ficção científica é realmente tão absurda? Será que já não estamos vivendo nesta absurda realidade sem nos darmos conta?
Que continuemos a perceber o mal que assola a humanidade, isso é importante, mas sem perder a pureza de admirar belas paisagens, dignas ações e maravilhosas obras de arte. Biophilia, certamente, é uma delas.

Cotação:

 

 

Curta um clipe feito por fãs da música “Vírus”, uma das mais belas do disco:

Crítica – Melancholia

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Filme mais recente do cultuado diretor dinamarquês Lars Von Trier. Conta a história de uma jovem (Kirsten Durst) que, no dia de seu casamento, parece não se enquadrar em tudo o que acontece ao redor. Acompanhamos sua apatia e angústia frente a tudo isso, sem saber ao certo o que a aflige. O contraste da sua inabalável felicidade até a total entrega a depressão, mal que ela luta para superar. Paralelamente a isso, um planeta chamado Melancholia se aproxima da Terra, causando pânico em sua irmã e excitação em seu rico cunhado e sobrinho. Mas o quanto a iminente aproximação deste planeta vai mexer com a personalidade de cada um?
Tentar escrever uma crítica sobre os filmes de Lars Von Trier é realmente difícil. Diretor de filmes como “Dançando no escuro”, “Anticristo” e “Dogville”, seus filmes fogem ao convencional. Não há um começo, meio e fim bem definidos, assim como a motivação que levou os personagens a ser o que são.
Seus filmes são compostos por diversas lacunas, aberto a sentimentos e interpretações individuais. Durante o festival de Cannes deste ano, o diretor fez uma piada que não deu certo, foi tentando consertá-la e a coisa foi piorando, até que terminou da pior forma possível.
Ele foi expulso do festival e minou qualquer possibilidade do filme concorrer a Palma de Ouro, que ficou com o “A Árvore da Vida”, do Terrence Malick.
Foi uma piada de extremo mal gosto, mas foi uma piada. Seus filmes por si a desmentem já que são em grande parte uma crítica ao autoritarismo, a repressão e ao fascismo.
Melancholia é um filme visualmente muito bonito. Faz com que você obrigatoriamente cultive a paciência. É intenso, dramático e também assustador. A última cena faz todo esse esforço valer a pena. Tem duas horas e cinco minutos de duração, e o título não poderia ser mais adequado. Embora seja o nome do planeta em rota de colisão com a Terra, melancólicos é como ficamos durante e após o término da película.

Cotação:

Veja abaixo o significado literal de “vergonha alheia”. Acompanhe o desespero da atriz na coletiva de imprensa citada:

Crítica – A Ilha do Medo

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Todos que comentaram algo deste filme comigo diziam: “Nossa demais!” “Surpreendente!” “Você nunca vai imaginar o final!” Os comentários que li na internet também enalteciam a obra de Martin Scorsese: Fantástico! Obra prima! Melhor filme dele em tempos!
Muito bem, me rendi a tudo e a todos e o assisti recentemente. Gostei da fotografia, principalmente as externas. A trilha dá o climão de suspense. O filme começa bem, mas o meio é arrastado e eu já estava prevendo o final: ou é uma conspiração contra o personagem do Di Caprio ou ele é o assassino pirado. O fato dele aparecer acendendo um fósforo no pôster já entregava tudo. Como já vimos em diversos outros filmes.
Acontece que o final é realmente surpreendente. É uma mistura dos dois, metade de um + metade do outro. Mas…não posso deixar de dizer que, pra mim, há uma falha gigantesca no roteiro que mata o filme. Procurei a respeito mas não achei ninguém falando absolutamente nada sobre isso. Então das duas uma: ou eu não entendi o filme, ou eu estou ficando chato. Ou, assim como o final, é uma mistura das duas coisas.
Vamos lá, se você não assistiu ao filme e ainda quer ver, não leia.
No diálogo final, entre o personagem do Di Caprio e Mark Ruffalo, ele acende um cigarro e diz:
“- Este lugar me faz pensar: é melhor viver como um monstro ou morrer como um homem bom?”
Ele levanta, vai em direção aos médicos que gostavam de fritar cérebros através da lobotomia e o filme acaba com a incógnita:
Ele regrediu no tratamento ou não?
Ai vem a questão: se ele regrediu, porque foi em direção aos médicos que o levariam ao temido farol tão calmamente? Não faria sentido algum.
Se ele não regrediu e fingiu ter voltado a maluquice, que foi o que eu entendi, ele adquiriu consciência do que havia feito mas preferiu fazer a lobotomia para esquecer, e assim “morrer como um homem bom”. Mas ai, voltamos na questão: porque ele foi em direção aos médicos?  Isso é uma prova irrefutável de que o tratamento havia dado certo.  Logo, não haveria necessidade da lobotomia.
Porque o psiquiatra não interveio?
Se o Di Caprio desse um chilique, fingindo ainda ser um agente federal no meio de uma investigação, o psiquiatra poderia perguntar, calmamente:
– Áh é? Puxa…então…me diz uma coisa, agente federal, onde você está indo com esses homens fritadores de cérebro?
Ao qual o mesmo só poderia responder:
– Áh…to indo ali fazer uma lavagem cerebral.
Ôh Scorsese, que incoerência absurda é a desse final meu filho? Contrata um roteirista que não subjuga o intelecto alheio, por favor. Obrigado.
Se alguém tem algo a acrescentar, fique a vontade nos comentários.
Cotação:

O que é ver de verdade?

Padrão

Flagrante cotidiano: menina curiosa sobre o cão mas a mãe a puxa apressada pela mão. Foto: JP Rodrigues

Quando criei este blog, lá no dia 25 de setembro de 2009, meu intuito era compartilhar neste espaço minha visão de mundo. Visão de mundo que implica na observação do cotidiano, interpretações de conversas, situações, sentimentos e sensações. O nome do blog, inclusive, faz menção a isso.
Acontece que a vida não é, nem deve ser, programada. Assim sendo, depois que me comprometi a voltar a publicar meus artigos de Educação Ambiental, isso acabou virando assunto predominante aqui no blog. Críticas de filmes? Pouco. Crônicas do dia a dia? Quase nada. Reflexões mundanas? Nulas. Praticamente saíram de cena. Escrevi que iria publicar os artigos ambientais em outros blogs e sites, e é exatamente o que tenho feito. Tenho como parceiros os sites da ANAGEA e tbm o Esse Tal Meio Ambiente, que me proporcionam alcançar lugares e pessoas que talvez não seria possível de outra forma. Os resultados que tenho obtido à partir deles são fantásticos. Os questionamentos estão se perpetuando por sí só, cumprindo sua função de fazer refletir quem a eles interessa.  Meus artigos já foram republicados em outros sites, jornais, revistas e até mesmo viraram um livro! É pois é. Por isso, novamente me é exigido um novo passo que culmina involuntariamente numa nova etapa.
Este blog sofrerá alterações. Voltarei a publicar o que de fato ele deve ter. Quero que ele volte a ser descompromissado, crítico sim…mas leve, dinâmico e divertido. Que proporcione descontração e estampe sorrisos em quem por aqui passar.
Pretendo abastecer aqui semanal ou quinzenalmente, dependendo da disposição. Vocês já podem notar a mudança no layout, menos sisudo e mais colorido. Há também agora as opções de “Compartilhar” as crônicas no Twitter e no Facebook. Alguns artigos sobre meio ambiente eventualmente darão o ar da graça por aqui.

Mas a notícia mais importante referente as mudanças que estou aqui para dar-lhes é que, depois de muito pensar/fazer/adiar, senti a necessidade de expandir os artigos ambientais de uma forma mais clara. Faltava uma raiz, como uma árvore, que dela pudesse vir os frutos. Depois de dois anos tendo um domínio sem usá-lo, pagando por isso e sem tempo para colocá-lo em prática, decidi finalmente criar o meu próprio site.
Á partir de agora, sou o idealizador e editor chefe do site “Ecolhares”. Um filhote que nasce ainda desprovido de penas, mas que em breve poderá alçar longos vôos, que ultrapassem fronteiras, ideologias, partidos políticos e interesses pessoais.
Que sirva com o único propósito de trazer a reflexão e proporcionar mudanças de atitudes sobre o meio ambiente e a sociedade na qual estamos, queiramos ou não, inseridos.
Você está convidado a fazer parte disto. Colabore com esse novo canal de informação, reflexão, discussão e questionamentos.

Espero vocês por lá. E por aqui também.
Um grande a caloroso abraço!

Att.
João Paulo Rodrigues