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Certo dia, plena segunda-feira, tomávamos umas e outras num bar aqui da cidade. Estávamos eu e mais alguns amigos, entre eles o coordenador do curso que fiz na faculdade e o professor duma disciplina, que foi um dos mestres homenageados em nossa colação de grau.

Demos sorte: na segunda-feira você compra um chopp e ganha outro! Imagina! E os bicho são bão de copo!

Papo vai, papo vem, é quando certa hora da noite começa uma muvuca por lá. Opa que que é isso? Ih, tem sertanejo na área!

Era um deles aí, famoso. Já o vi na TV. Tava com outro, de outra dupla, que já vi fazendo “X” em vidros de trás do transporte público sorocabano.

Mas, quem será ele? Qual o seu nome? Pelo burburinho era um dos Bruno e Marrone.

Eu tenho uma grande dificuldade em diferenciar um e outro. De todos. Chitãozinho e Xororó, Edson e Hudson, Vitor e Léo, Rio Negro e Solimões, Xico Freitas e Xavier, Sandy e Júnior…pra mim há uma dificuldade tremenda em saber quem é quem.

Não que eu me esforce também, entenda.

Ele estava sentado na mesa ao nosso lado. A mulherada ensandecida. Não saia de cima. De tempo em tempo ele levantava e tirava foto com as garotas.

E a gente bebendo.

Ele saia pra fumar, usava piteira, estiloso, pra não deixar cheirinho na mão, ia uma renca de “Maria Bretêra” atrás.

E a gente bebendo.

Ele voltava e sentava na mesa, mas logo tinha de levantar e tirar foto com as fãs.

E nóis…bebhendo…

Lá pro fim da noite, todos já tricoleta, sugere-se de irmos lá tirar uma foto com o cara.

- Ah não, eu é que num vô pagá esse mico! – disse o professor, embora ele mesmo tenha dado a idéia.

- Ah vâmo aí, tô cá máquina aqui!

- Só se vc for falar com ele Jão, só se você for…

- Ah que merda, porque eu?

- Então nada feito!

- Tá bom, tá bom…vâmo lá…

Viu com é fácil fácil me convencer a fazer uma coisa idiota?

Saí e fui até o local de fumantes, ele estava cercado de belas garotas, cheguei cumprimentando “oba! oba,e aí?”. Me aproximei e disse:

- Olá tudo bem? Olha…meu….eu…admiro muito o seu trabalho…Marrone e…

- É Bruno!

- Hã?

Me olhando com os olhos repletos de ódio:

- É-BRU-NO!

(silêncio constrangedor)

- Possotiráumafotocuntigo?

Bruno e eu cercado das belas

Raciocina comigo: uma dupla é de dois, certo? Então…minhas chances eram de 50 %!

O professor bateu. Daquele jeito e como pode ver, ficou uma merda.

E outra, ele teve sorte deu ter, pelo menos, acertado a dupla né?

Exigeeeeeente.

“Oito horas de viagem… oito horas de viagem… oito horas de viagem… oito horas de…”

Pelo que pode ser percebido no parágrafo acima, a única coisa que me impedia de passar uma temporada em Londrina era, claro, a coragem!

Oito oras dentro dum busão? Mas…e se me desse ânsia? Dor de barriga? Dor de cabeça? Gases? Terei de me segurar durante todo este tempo, até meu (int)destino final?

Bom, lá vamos nós. Comer bem antes de ir, levar barrinha de cereais, uma maça e duas garrafinhas d’agua. Viajar durante a madrugada, claro! Vou dormindo! Beleza!

Já no ônibus, crianças de colo! Com casal de jovens que estava no banco a minha frente. A criança chora, a mãe acende a luz, o pai pega a fralda no maleiro. Fralda? Deus do céu. Trocam ali mesmo, rapidinho. Nem fede. Mas aí coloca num saco plástico e pendura num ganchinho. Aquilo balançava feito relógio cuco. Sim, um leve aroma fecal paira no ar.

A mulher atrás ligou o ar condicionado. Arrumou-o duma forma que ventava na minha cabeça e desmanchava o penteado. Os piolhos suspeito esquiaram na  careca.

Banco incômodo, não há posição que dê para dormir. Opa que que é isso? Quase chegando ao destino, achei sem querer um compartimento na poltrona da frente para esticar os pés. Merda!

Chegando em Londrina, peguei um Táxi. Chego na pousada. Quanto? $20? Pago. Ele vai. Dona da pousada diz que dava pra fazer em $10. Dane-se. Durmo.

Mais tarde, compras num supermercado. Ao passar pelo caixa, não pediram meu CPF como de costume. Ué!

- Ei você ñ vai me emitir a nota…(pensando) fiscal…(o raciocínio tomando forma) paulistatemtrocopracinquenta?

Admiro o Lago Igapó. O pôr do Sol lá é lindo me falaram. Mas tava nublado. Tudo bem. Não tenho guia. Tranqüilo. Veio a noite. Cama não como a minha lá de casa. Leio. Escrevo. Apago.

Dia seguinte fui andar de ônibus dar um role no centro. Lá é tudo perto, rodoviária, restaurante, lan house, shopping, bar e Av. Higienópolis. Explica:

- Você pega ele indo pro Terminal Central deste lado de cá da ACM…

- De cá? (gesticulando)

- De cá, de cá…ele vem daqui e vira assim e …

- Vira assim?

- Assim cacete, assim!

- Ah pódexá queu me viro…

Antes de chegar no ponto, confirmo com um senhorzinho de bicicleta:

- Deixa ver ele vem daqui, vira assim…alí em cima…é, é esse ponto aqui mesmo.

O ônibus chega ligêro. Pergunto ainda uma vez mais ao cobrador que jogava no celular:

- Hum-hum – sem desgrudar os olhos do aparelho.

Fiquei abismado com o valor da passagem: $2,10. E tem baldeação via terminal. Dá pra ir a qualquer lugar da cidade pagando apenas o unitário. Fica aí o registro: Sorocaba tem uma das passagens de ônibus mais caras do país. E o serviço (daqui) deixa a desejar.

Chega um ponto, depois de algumas voltas, todos os cinco passageiros descem. Era alguma coisa da Agricultura, não é ponto final. Permaneço e só.

Chego ao Terminal. Que lugar chinfrim. Cercado de mato, mato mesmo, largado, pelos lados. Desci. Fui ao guichê:

- Como faço pra chegar na rodoviária?

- Fácil fácil, você pega este ônibus aqui (apontando) e desce no Terminal Central e depois pega o 109…

- Mas não é aqui o Terminal Central?

- Não não…

Volto. Pego o mesmo ônibus que vim. Passei pelo mesmo ponto que peguei. Vi o ponto em frente, do outro lado da rua, onde deveria tê-lo pego da primeira vez.

No caminho passo em frente a um motel chamado “5 Coelhinhos”, não me seguro e comento com a moça ao lado:

- Neste motel aí é terminantemente proibido o uso de preservativos!!

Ganhei em resposta um olhar desconfiado, sobrancelha erguida e lugar vago a meu lado.

Na Rodoviária, comprei a passagem para o ônibus das 23:05:

- Como faço pra chegar no centro a pé?

Após explicação básica: “Sai por aqui, sobe por lá, dá a volta na praça e segue o fluxo” cheguei no centro.

Cidade bacana, movimentada. Calçadão, ando a pé. Pessoas apressadas, como aqui. Mulheres bonitas, mais que aqui.

Tem algum lixo no chão sim. Acho que não muito, mas tem. Vi uma mulher jogando. Um calor infernal. Lei anti-fumo em ambientes fechados não respeitado. Bela arborização urbana, mas muitas podas ilegais. Motoristas apressados e camisetas do Corinthians em caras desdentados.

Exceto pela “bela arborização urbana”, todo o resto me fez sentir em casa!

Volto pra pousada, ainda há tempo para mais um banho e rápida refeição. Hora de ir, vejo o horário do único ônibus que passa pelo bairro, aquele lá que peguei errado, num papel deplorável e ininteligível colado a durex  na porta dum armário de cozinha. É de hora em hora. 21:45. É esse!

Despeço-me e agradeço a todos. Gostei muito do lugar e das pessoas do lugar. E dos bichos também. Aconchegante e afetuoso. Embora tenha sido um hospital psiquiátrico a um tempo atrás. Quando Lourdes começou a me contar estórias cavernosas, já tava picando a mula. Ainda bem!

Mochila nas costas e agora sim, no ponto certo. Do lado de cá de quem vem da pousada. Ninguém nele, estou só, nem na rua, escuro. Vejo um papel grudado na trave do ponto com os horários. Fui confirmar. O de 21:45 saia do Terminal sim, mas do Central! Caralho! O próximo que ia pra lá era só 22:18! Será dá tempo?

Mano, pensa não. Caminhada! Em meia hora tá na Duque de Caxias, ali passa mais ônibus. Anda, anda, aperta o passo, mochila pesada, olha a hora, 15 prás 10, vâmo que vâmo. Ninguém durante o percurso. Ninguém durante todo o percurso! Chego ao ponto, tem um senhor. Estou em bicas.

- Qualquer ônibus daqui vai pro Terminal Central? – enxugando a testa com as mãos e limpando na bermuda.

- Sim.

- Brigadão!

Dá cinco minutos, chega um. Nem vejo qual. Não tem cobrador. Pago ao motorista. Vai subindo a Duque, olho o relógio, 10 horas. Chega lá em cima na Juscelino, ele desce! Desce? Não! O outro subiu! O Terminal fica pra lá!

Calma, calma, é só um itinerário diferente. Vários caminhos convergem no mesmo lugar. Tranqüilo.

A certa altura, reconheci. Ta indo bem. Chego no Terminal 10:15. Espero o 109 – Rodoviária.

10:25 nada.

10:40 nada.

Pergunto pro tiozinho.

- Tem um quinze pras onze!

Ele chega, entrei. Saiu. Cheguei: 5 pras 23:00. Corro plataforma 51. Uma mijadinha básica no banheiro, lavo as mãos. Fome! Muita! Caracas não jantei…

Comer salgadinho de rodoviária? Hum…sei não. Qual outra opção? Nenhuma:

- Uma coxinha de carne e uma coca-cola por favor.

Engulo. Ensopada de óleo. Coca trincando! Tomei rápido, doeu o olho. Fui pagar. Três a minha frente.

23:00.

Mulher vai digitar senha do cartão de crédito.

Erra.

De novo.

Erra.

Porra digita direito essa merda!

Próximo deixa cair o canudinho da água. Pede outro. A caixa procura. Acha. Dá. Xau!

Minha vez, vai passar comandas que não tinham sido lidas:

- Um minutinho só, ta?

- É que tem o horário do ônib…

- É rápido!

Pronto. Agora vem um bêbado, pede isqueiro. Ela dá. Ele acende ali mesmo. Não pode ô filha da puta! Devolve. Faz uma graça sem graça pra cacete. Xau!

Paguei e corro pro embarque:

- Tem de preencher esses dados aqui…

Putz no crêo!

- Tem caneta?

- Ali no balcão – e fecha o bagageiro.

Caneta num funciona. Porra! Cadê outra? Quebrada? Cadê? Cabô!

- Tó pega a minha – diz o cobrador.

Ônibus dá a partida.

Nome, RG, CPF, Poltrona, Horário, Saida, Destino, motivo da viagem…blá blá blá tudo de qualquer jeito.

Entro no ônibus, ajeito a mochila no maleiro, me acomodo na poltrona, apoio os pés (ah moleque!) e relaxo.

Sorocaba aí vou eu!

Só me faltam, agora, mais oito horas de viagem.

E torcer pela boa procedência da coxinha…

Avatar

Esta será certamente a crítica de cinema mais difícil queu já escrevi” – penso no carro enquanto voltava da sessão de Avatar que fui ver em Itu, cidade a cerca de 30 km de Sorocaba.

Depois de sair do cinema, tive de deixar assentar o entusiasmo por três dias para poder – ou tentar – escrever uma crítica onde a razão conseguisse dominar a emoção, já que a vontade imediata era bradar: Pessoas, por favor, vocês TEM de ver este filme! Mas eu não posso fazer isso, tenho um compromisso com a imparcialidade e o bom senso, então bóra lá encher lingüiça.

Itu, assim como as cidades de Ponta Grossa, Maringá, Campinas e até Piracicaba tem em suas localidades o cinema em 3D. Sorocaba, mais uma vez, está obsoleta.

O plano, desda estréia do filme em 18 de dezembro de 2009, era assisti-lo no IMAX 3D localizado no Shopping Bourbon, zona oeste de São Paulo.

O filme acabou transformando-se numa novela: agenda de férias e fim de ano + grana da brincadeira tornou os planos frustrados e a idéia de prestigiar o filme em 3D ficava cada vez mais distante.

Foi quando, num sábado chuvoso, tudo deu certo e lá fomos nós: eu, Jô, Cida e Eraldo.

Chegamos com duas horas de antecedência e conseguimos comprar os ingressos. Ao voltar cerca de meia hora antes do início da sessão, a fila já era astronômica! Entramos, pegamos os óculos e sentamos em quatro lugares seguidos que sobraram, nem tão próximo nem longe da tela. E finalmente, a sessão começa.

É exibido os trailers de “Alice no País das Maravilhas”, aguardado novo de Tim Burton com o Johnny Deep; “Como Treinar o Seu Dragão” – nova animação da DreamWorks e “Shrek para Sempre”, quarta parte do carismático ogro verde.

Com os óculos, já tive uma breve noção do que viria a seguir.

A sensação que senti ao assistir aos trailers é diferente de tudo o que já havia visto. O sorriso do Gato de Botas me deixou maravilhado – e algumas crianças assustadas!

Enfim, Avatar começa. E James Cameron já mostra o porque de tanto alarde: a cena mostra Jake Sully (Sam Worthington) saindo duma cápsula e entrando numa nave, e a noção de profundidade que se tem é impressionante! Conforme o filme vai se desenrolando, o cérebro acaba se acostumando com os efeitos 3D e você começa a se prender aos personagens e a história.

Já na primeira conexão entre Jake e seu Na’vi, dá pra notar o quanto a tecnologia criada por Cameron é infinitamente superior a qualquer coisa que já se tenha visto antes. Uma das mais notórias está relacionada aos personagens feitos por computação gráfica, onde a frieza é sempre estampada em suas caras. Suas expressões não transmitem vivacidade, seu olhar é vazio, seres sem alma.

Já os avatares são absurdamente reais. Suas feições são perfeitas e cada emoção, cada sorriso contido, cada pequena manifestação de sentimento humano é reproduzida com perfeição. O que, em vários momentos, é tocante.

Zoë Saldana como Ney’tiri convence o público da garota guerreira que é, e tem um encantamento perturbador. Jamais achei que poderia achar um ser azul, de três metros de altura e com rabo, sensual. E muito.

Assim que a história começa a acontecer em Pandora, planeta dos Na’vis, ficamos pasmos – ou para usar a expressão de minha irmã, “encantados”.

O diretor consegue, duma forma extremamente convincente, criar um mundo totalmente novo. Para isso ele contou com a ajuda de biólogos e botânicos, que criaram as espécies de árvores e animais baseados nas espécies que temos aqui. As florestas, gramas e sub-bosques simplesmente transbordam vivacidade e realismo!

Isso aliado ao efeito 3D, torna tudo um espetáculo inédito aos olhos e corações.

Não espere, porém, uma catarse visual, onde você se segura na cadeira com medo de cair ou destronca o pescoço em alguma vertigem. Cameron nos brinda com um espetáculo visual fabuloso, porém em muitos momentos também singelos, líricos e poéticos. E a nós só nos resta agradecê-lo por isso.

A relação dos Na’vis com o planeta em que vivem é duma beleza encantadora. Cada animal, inseto ou planta tem uma conexão com o todo, fazendo parte de algo maior. Importante e cabe a mim ressaltar que o filme tem uma visão ecológica verossímil e atual, em sintonia com nossa realidade. Sintonia, na forma tátil, aliás, é algo que permeia todo esse universo.

JakeSully (observado por Ney'tiri) e as sementes da "Árvore das Almas"

A natureza de Pandora se comunica com seus habitantes, mandando “sinais” dos quais eles estão sensíveis para perceber. Coisa que já discuti num dos posts do unjob e que nós estamos perdendo em relação a nossa mãe natureza.

Cameron é um menino danado – e ousado! Faz também uma crítica explícita ao “combate do terror com o terror”, símbolo do governo anterior americano e ainda mantido neste. Vi até uma alusão ao ataque que destruiu as Torres Gêmeas, mas vamos deixar cada um tirar suas próprias conclusões.

O principal é que o filme mostra o quanto somos mesquinhos e ignorantes na relação que temos com o planeta em que vivemos. E no caso, com o de outros também. Passamos por cima de tudo e de todos para conseguir o que queremos. E o que queremos? Dinheiro e mais dinheiro! Aquele pedaço de papel ordinário!

Ficar fascinado com todo o apelo visual é coisa que Cameron sabia que as pessoas ficariam, mas o desafio está além, muito além daquilo que pode ser visto nas telas.

Parabéns a James Cameron, que criou não apenas um filme belíssimo e emocionante, mas um entretenimento com conteúdo e significado.

Seu recado, James, está dado.

Cotação:

Felicitações

Vida de artista

Certa vez tínhamos acabado de tocar uma festa e, enquanto guardava meu instrumento, uma bela jovem, dos seus 16 anos, veio correndo na minha direção em estado de êxtase:

- Olá!!! Parabéns!!! Gostei muito do show de vocês, muito legal!!!

- Obrigado!

- Será que você poderia…me emprestar uma caneta?

- Uma caneta? Claro…ela está bem aqui em algum lugar.

Comecei a procurar em minha clássica mochila, que foi carinhosamente apelidada há um tempo por colegas de “lado esquerdo”.

- Pronto, aqui está! Onde eu assino?

- Assinar?

- É ué…hã…não?

Ela olha pra trás um tanto quanto ansiosa, parecendo procurar alguém:

- Me empresta ela tipo…meio que rápido?

- Como assim?

- É que preciso anotar o emeesseene dum menino e ele já ta indo emboraaaaaaaaa!!!!

Atividade Paranormal

Há exatos 10 anos, em 1999, a indústria cinematográfica foi abalada por um filme que causou um furor e foi a sensação daquele ano sendo, indiretamente, responsável pela mudança de alguns paradigmas: The Blair Wich Project ou, como lançado no Brasil, “A Bruxa de Blair”.

Com um dinheiro ínfimo par aos padrões hollywoodianos, filmada com câmera amadora, sem ator ou diretor conhecido e com uma criativa e contundente campanha de marketing através da internet, inédita e avassaladora, o filme foi um sucesso sem precedentes.

Fez milhões de dólares e, proporcionalmente, está como um dos custos/benefícios mais lucrativos da história do cinema.

Dez anos depois, eis que nos deparamos com outro fenômeno que está arrepiando muitos cabelos: o filme “Atividade Paranormal”.

Sai a lenda da bruxa na floresta, entra fenômenos inexplicáveis que acontecem numa casa. Sai a campanha do site onde apareciam o rosto dos três “desaparecidos” da bruxa, entra o boca a boca via twitter dos fenômenos paranormais.

Assim como no filme de 1999, os nomes dos personagens são os mesmos dos atores que os interpretam, causando a sensação de que tudo o que se vê na tela é real. No caso, Katie Featherston e Micah Sloat são os nomes que, acredite, vão estar impregnados na sua mente ao sair do cinema.

 Tudo acontece quando eles começam a ouvir barulhos estranhos durante a noite e tem a brilhante idéia de instalar uma câmera no quarto para captar o que quer que seja que está incomodando o sono dos pombinhos.

No começo as manifestações são levianas e esporádias e parece não ter sentido algum, surgindo ao acaso. Achamos tratar-se de mais um filme sobre casas mal assombradas. Porém após a presença dum estudioso paranormal, as coisas começam a tomar forma (literalmente!) e pouco a pouco o mistério começa a ser revelado.

Além, é claro, das manifestações demoníacas ficarem mais intensas e horripilantes.

O filme é mérito do israelense Oren Peli, programador de computadores que faz sua estréia no cinema. Ele desembolsou 11 mil dólares para fazer o filme, que já rendeu mais de $200 milhões no mundo todo.

A mística é a seguinte: Aparentemente o filme começou a causar furor quando era exibido em festivais, lá em 2007. Uma das cópias do filme foi parar na mão de nada mais nada menos que Steven Spielberg, que relatou não ter conseguido assistir ao filme inteiro a noite. No dia seguinte devolveu o DVD embrulhado num saco de lixo com os dizeres de que a porta de sua casa havia sido trancada de forma inexplicável, e ele teve de chamar um chaveiro para poder sair de casa!

Sabendo que tinha um pote de ouro nas mãos, Spielberg convenceu a Paramount a comprar os direitos do filme e desembolsou mais 4 mil dólares para mudar o final e editar algumas cenas.

O resultado em sessões testes foram satisfatórios (leia-se “a venda de fraldas descartáveis subiram rapidamente”) e o filme foi lançado.

Confesso que tenho curiosidade para ver o final original, porque este…hum…tá, deu medinho? Deu. E um puta susto também! Mas quero saber como foi que o diretor se virou (assim como fez o filme todo, através de truques de sons e imagens) com o final sem poder contar com o efeito de computador empregado na última cena.

Falando em cena, repare na que ilustra este post. Ta vendo? Olhe bem…com calma. E aí, que achou? Nada? Pois acredite, esta é, de longe, a cena mais macabra de todo o filme!!

Quando ela surgir na tela você vai se contorcer na cadeira! Quem avisa amigo é!

Como não poderia deixar de ser, tenho um relato: Quando cheguei em casa logo após assisti-lo, fui ao banheiro e ao acender a luz ela fez um barulho, deu uma piscada forte e…puft! queimou!

E daí? Foi apenas mais uma lâmpada que exauriu seu tempo útil…né?

É…tomara…

Cotação:

Os Beatles são a maior banda de todos os tempos. Nenhuma outra causou tanto alvoroço em sua época e influenciou tanto sua geração e as próximas.

John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star formaram, cada um com seu ¼ de colaboração, uma entidade mística chamada The Beatles.

Até hoje, quarenta anos após seu fim, qualquer coisa relacionada a eles desperta imediata atenção e muita expectativa.

Suas músicas são eternas e as histórias, lendárias: Desdo primeiro encontro entre John e Paul, os perrengues do começo em Hamburgo, passando pela apresentação a rainha, o absurdo da beatlemania, a evolução dos arranjos e composições à partir de “Rubber Soul”, a experiência e abuso com as drogas, o boato de que Paul havia morrido, as pistas deixadas por eles nas músicas e capas dos álbuns,  a busca pela paz interior na Índia, a apoteótica última apresentação no telhado da Apple Corps e o fim da banda, em 1970.

Tudo isso e muito mais é esmiuçado neste livro, que contém mais de mil páginas! Mas é mais focado no começo, da fase no Cavern Club na Alemanha, onde “foram os únicos espetáculos genuinamente rock and roll que fizemos”, de acordo com uma das muitas frases polêmicas de John.

Mas, a abrangência do livro vai além. Muito além. Fala com muitos detalhes todo o processo, os abusos feitos por conta das gravadoras e oportunistas. Revela um lado pouco conhecido dos garotos: da personalidade agressiva, preconceituosa e sarcástica de John, a postura arrogante, autoritária e presunçosa de Paul, a quietude e sabedoria de George e a postura passiva e apaziguadora de Ringo, tudo isso é relatado de forma surpreendente nesta “bíblia” beatleaniana.

Não que isso seja ruim, veja bem. Cada um exerceu um papel fundamental dentro do todo. Diz-se (e acredito nisso) que a maior qualidade das pessoas é, também, seu maior defeito. Então podemos dizer que, se cada um não fosse do jeito que é, nada disso teria acontecido.

Mas, acho que ele é uma boa leitura para quem já tem um certo conhecimento dos Fabs. O livro é longo, e partes incrivelmente burocráticas.

O final, particularmente, é muito triste. Mas o que fica realmente é a admiração pelos rapazes, que embora tenham mudado o curso da história, eram quatro pessoas, com seus defeitos e qualidades que conseguiram, durante dez anos, conviver com suas diferenças e explorar de forma estratosférica sua ilimitada criatividade de fazer música.

Mas há um momento onde cada um tem de seguir seu caminho.

E levemos do livro, dentre outras, mais esta lição.

O sonho acabou. Já os Beatles, comprovadamente, continuarão eternos.

The Beatles – A biografia
Autor: Bob Spitz

2012

No post intitulado Bee Happening,  publicado no unjob, relatei as assustadoras coincidências que me levaram a escrever o post sobre o fim do mundo em 2012: o desaparecimento das abelhas, o calendário Maia e as previsões de Albert Einstein.

Citei ainda o trailer do filme “O Dia Depois de Amanhã”, numa mostra do quanto a natureza é sábia e é preciso estar atento aos sinais por ela enviados. Mal sabia eu que Hollywood já estava pensando no filão e iria abordar isso num filme. Eis que surge, em 2009, “2012”.

Cabe outra coincidência aqui: o mesmo diretor do “Dia Depois“…o alemão Roland Emmerick, dirige também esta catástrofe.

Acostumado a destruir o planeta (vide os outros filmes do diretor: Independence Day (ID4) e Godzilla), o alemão pisa feio na jaca. Os efeitos são muito bons, e deixam evidente onde os $200 milhões foram investidos, mas isso não é mais quesito para salvar filme algum.

O filme, simplesmente, não aborda o tema de forma convincente. A idéia do homem e seu atual método de desenvolvimento como ser determinante na mudança que está ocorrendo no planeta e como deverá ser daqui pra frente é, simplesmente, ignorada. As questões ambientais, tão intrínsecas e certamente necessárias na consciência e cultura de todos, nem sequer é levantada.

A Teoria Maia é citada de forma absurdamente leviana, sem nenhum aprofundamento. Os personagens, caricatos e comuns, com seus idiotas e derradeiros atos de heroísmo. A história simplesmente…não existe.

Fiquei sabendo que algumas igrejas estão convocando seus fieis a assistirem o filme para, suponho, refletir sobre o mesmo. Coitados.

Bom saber que pelo menos os chineses, os negros e John Cusack vão repovoar o planeta.

Mas seria mais legal se fosse o Woody Harrelson

Cotação:

Menos quatro

pçaUns sábados passados aí estava eu, voltando do trabalho (foi o “Mc Dia inFeliz”), em torno de meio dia, decidi tomar um sorvete ali na Rua da Catedral. Sorvete já conhecido de post anterior.

Quando entrei na praça, descendo pela Rua São Bento, notei de imediato um vazio. Um grande e inexplicável vazio, de repente, tomou conta da paisagem – e também de mim. Senti que algo estava faltando, algo que não sei o que era.

Andei, andei…e procurei. Mas alguém por favor me diga como faço pra achar uma coisa que não está lá?

Mesmo diante deste sentimento, percebi que as pessoas continuavam como sempre: as putas, os bêbados, os pastores e o aglomerado de gente iam, vinham, gritavam, brigavam, cantavam, pregavam, bebiam e se divertiam. Ainda assim, havia algo em ausência…

Mas se todos os personagens pitorescos e conhecidos da praça lá estavam, o que era?

Andei…andei…olhando pros lados…pro alto..sentindo o sol queimar a minha face. Um sol ainda mais quente que o habitual.

Uma paisagem branca, falha, se mostrava a minha frente. Ainda sem saber do que se tratava.

Olhando, depois de muito, pro nada, meus olhos mostram-me aquilo que faltava, ou o inverso disso. Uma clareira está aberta!

Clareira? É isso, faltam árvores!

Quatro Sibipirunas (Caesalpinia peltophoroides) foram retiradas da praça porque, de acordo com laudos, estavam podres e infestadas de cupins. Ameaçavam, assim, as cerca de 90 mil pessoas que passam por ali diariamente. O registro que postei no comentário do post Madeiraaaaaaaa!! do unjob, no fim, foi um documento da quantidade de árvores que lá estiveram um dia. Percentual esse que diminui a cada dia.

E como estará daqui a pouco? Essa é uma pergunta que não sei dizer. E sinceramente, tenho medo da resposta.

Esperar que a Prefeitura, após a reurbanização do centro da cidade (vão trocar todo o piso da calçada no primeiro trimestre de 2010) plante outras em seus lugares.

Estaremos de olho…

No dia seguinte as homenagens do Dia do Professor no colégio, faltei. Uma dor nas costas me assolava havia alguns dias e, naquele dia, judiou.
Durante bom tempo estava dormindo com dois colchões, um sobre o outro, o que deixava a cama muito mole. Credito a isso a indisposição.
Após ficar o dia de molho, no dia seguinte estava melhor e fui trabalhar. Ainda nutrindo os nobres sentimentos com as homenagens de felicitações e também com os comentários sobre a data (obrigado linda Jô e Má!).
Ao chegar ao colégio, já na primeira aula, eu e sétima série adubávamos um canteiro que, depois de nos fornecer flores e frutos, agora nos dará chás e sensações.
Empolgado, disse a eles:
- Poxa muito obrigado pelas homenagens! Gostei bastante!
- De nada professor!
- Sabe eu publiquei a homenagem que me fizeram no meu blog?
- Olha só, que legal!
- É, pois é…senti tanta a falta de vocês ontem!
Eles se entreolharam.
- De verdade, vocês são os melhores alunos que um professor poderia querer!
- Ok, ok…Juão…
- Mas e aí, e vocês…sentiram minha falta?
Se entreolharam novamente…
- Ah que é isso pessoal, vamos lá…não precisam ficar com vergonha…
Eles ainda com cara de paisagem…
- Pessoal, tudo bem, é normal sentir saudades dum professor que vocês gostem muito…
O Alan, um tanto tímido, pergunta:
- Ô Professor…mas….você….faltou ontem????

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